Mas Rousseau estava certo em relação às leis
que se corrompem por serem conduzidas por homens tendentes a se corromperem?
Pode-se partir da primícia que o
poder é um potencializador do caráter e personalidade. O poder proporciona que
o ser humano demonstre quem ele realmente é. Quando recebem poder, muitas
pessoas podem tratar outros que estão abaixo delas [em uma situação de trabalho
por exemplo] com desrespeito e abuso de autoridade. É muito comum que tais
pessoas demonstrem com mais facilidade seus sentimentos, pois se sentem
protegidas por sua posição, seja ela política, organizacional, religiosa ou
social.
Por muitos anos a psicologia
possuía uma linha de pensamento onde o poder corrompia, nos últimos anos
entretanto, uma nova linha surgiu, uma linha que apoia a ideia de que o poder
não corrompe, mas trás a tona a real personalidade de quem possui o poder, de
acordo com Adam Grant, Ph.D. em psicologia organizacional pela Universidade de
Michigan e bacharelado pela Universidade de Harvard e autor do livro Dar ou receber [Give or Take], um
bestseller do New York Times.
O ainda presidente Obama disse em
2006, na Universidade Internacional de Maiame, Florida: “Quem você é – o que
você é – não muda depois que você ocupa uma posição na casa branca. Tudo o que
faz é magnificar quem você é. Tudo o que faz é acender um holofote em quem você
realmente é.”.
Seguindo a mesma ideia, Michael
K. Kraus – professor assitente na Yale University’s School of Management – confirmou
o que o ex-presidente disse em uma pesquisa psicológica (incluindo vários
experimentos que o ajudaram), de que o poder seu próprio meio de revelar a
personalidade de uma pessoa. Ele diz “Quanto mais poder uma pessoa consegue,
mais livre ela se sente para mostrar quem realmente é, agindo consistentemente
com suas metas e valores”. Kraus e outros defendem que não é o “poder que
corrompe”, mas sim que “ele simplismente trás nossa própria natureza para fora”.
Estudos também sugerem que quando
as pessoas sentem que tem poder, elas sentem mais autonomia para serem quem
realmente são comparadas com as pessoas que não se sentem no poder.
Kraus ainda escreve “que ter
poder permite que as pessoas se expressem em situações onde outras teriam considerado
mais cuidadosamente os impactos dos seus comportamentos poderiam machucar
outros”.
Outro estudo liderado por
Katherine DeCelles, uma professora de comportamento organizacional da
Universidade de Toronto diz que pessoas que se importavam pouco com a moral também
eram mais propensas a quebrar as regras no trabalho – mas somente quando tinham
poder. Nesse estudo, adultos mostraram maior indice de mal comportamento no local
do trabalho – como marcar o ponto mais cedo ou ter pausas maiores do que o
permitido – especialmente quando eles tinham poder e a moralidade não era um
ponto central na sua identidade. Entretando, pessoas que possuiam altos valores
morais, tinham uma menor tendência em ter um mal comportamento no trabalho se
tivessem poder.
Usando tais estudos como base a
premissa de Rousseau se confirma ao analizarmos que as leis só podem ser
alteradas por pessoas que possuem poder real sobre elas. Tais pessoas tem uma enorme
propensalibidade de usar os meios possuídos para obter lucro, vantagem ou proteger
outros que estariam sujeitos as penas da lei.
Na carta do Lord Acton ao Bispo
Creighton em 1887, está escrito:
O poder tende a corromper e poder absoluto poder corrompe
absolutamente. Grandes homens quase sempre são homens ruins, mesmo quando eles
exercem influência e não autoridade: ainda mais quando se soma a tendencia ou a
certeza da corrupção por autorizada. Não existe maior heresia do que a posição
santifica o que a possui.
O trecho é seguido da ideia que os
padrões morais deveriam ser aplicados a todos os homens, políticos e líderes
religiosos. Tal carta foi escrita para o Bispo mostrando claramente que ele
[bispo] enforcaria homens comuns, sem poder, mas se fazia de despercebido
quando crimes eram cometidos por pessoas com poder.
Embora
tenha publicado seu livro em 1762, Rousseau se mostra respaldado por estudos
atuais.
Referências
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