Crise de
representatividade na política brasileira
De todos os motivos que podemos
imaginar para alguém se tornar um político, um dos últimos é o comprometimento
do político com suas promessas. No Brasil, promessa de político é tão bom
quanto sonhar com a mega sena. Devido ao enorme número de casos onde existem
muitas promessas e um ínfimo comprometimento de cumprir com as mesmas, a ideia
de que políticos são ruim tem se desenvolvido nos últimos anos.
Isso ocorre por diversos fatores,
alguns deles são:
·
O político faz não faz promessas de qualidade
(devido ao fato de que muitas coisas não estariam em seu poder mesmo se eleito
ou apresenta propostas fantasiosas que não podem ser cumpridas, pois muitas
infrigem a constituição);
·
O real interesse do político são os benefícios
da posição (salário, vales, direitos e etc.);
·
Falta de comprometimento com o que poderia ser
feito;
·
Corrupção em todos os seus níveis;
Situações como essas fortalecem o
desejo de muitas pessoas não participarem da política usando frases como
“nenhum político presta”. Assim, um povo que deveria ter grande interesse em
seus governantes se torna politicamente negligente. Sendo que o povo tem mais
disposição de pesquisar a respeito do celular ou carro que deseja comprar do
que pesquisar a respeito de quem deve votar baseado no histórico e coerência
das promessas.
Muitos políticos fazem propostas
tão fantasiosas que parecem que estão inventando a água quente. As propostas
não são estudadas, programadas e planejadas, muitas existem somente para fantasiar
uma realidade que agrada aos eleitores. Existem muitas promessas que não podem
ser cumpridas por infrigerem direitos existentes, são uma maquiagem de algo que
não deu certo (e pretendem fazer exatamente a mesma coisa), são ideias frágeis
por não se prever os impactos que poderia sofrer por alguma crise econômica,
social, política, educacional e etc.
Nick Perks, ocupa a função Trust Scretary na Joseph Rowntree
Chariatable Trust respondendo a pergunta “Porq que você pensa que as pessoas
estão perdendo a confiança nos políticos?”, respondeu:
“Eu acho que
provavelmente existe diferentes razões para isso. Eu acho que estamos nos
tornando mais desconfiados da autoridade de uma maneira gral. Eu acho que se
fosse 100 anos atrás ou 500 anos, viveríamos em uma sociedade extramamente
hierárquica, onde os ‘tomadores de decisões’, fossem eles políticos ou a
igreja, tinham muito poder em suas mãos e as pessoas não tinham a tendência de
questionar a autoridade. E eu acho que na era moderna, nós temos a tendência de
questionar a autoridade, e eu penso que esse é um dos fatores importantes.
Então, existem muitos exemplos de comportamentos de políticos e ‘tomadores de decisões’ que deixam a desejar. E eu acho que existe algo como o ciclo da falta de confiança. A mídia tem o costume de trazer a tona histórias sobre políticos que não estão se comportando como deveriam, o que torna mais difícil de construir um relacionamento positivo entre pessoas comuns e os ‘tomadores de decisões’”
Então, existem muitos exemplos de comportamentos de políticos e ‘tomadores de decisões’ que deixam a desejar. E eu acho que existe algo como o ciclo da falta de confiança. A mídia tem o costume de trazer a tona histórias sobre políticos que não estão se comportando como deveriam, o que torna mais difícil de construir um relacionamento positivo entre pessoas comuns e os ‘tomadores de decisões’”
Analisando a resposta de Nick
Perks, podemos dizer que ela se encaixa na situação que o Brasil enfreta
policamente hoje. O grupo minoritário dos eleitores que se involvem na política
a ponto de questionar tudo o que é oferecido a população, acaba encontrando um
cenário um tanto quanto revoltante, muito não se sentem representados pelos
políticos que estão no poder, seja pela qualidade e tipo das propostas, seja
pelo comprometimento em cumprir suas obrigações como político.
A seguinte análise mostra como
essa situação tem se refletido ao redor do mundo não só na questão política,
mas na questão economica e social.
No ano de 2017 o Eldeman Trust
Barometer foi publicado, revelando uma crise de confiança no mundo todo. A
maior parte da população perdeu a confiança nas instituições do país. Em seu
relatório a respeito do declínio de confiança o percentual de confiaça relativo
ao ano de 2016 vs. 2017, em ONGs a redor do mundo caiu de 55% para 53%,
empresas passaram de 53% para 52%, a mídia liderou a queda, saindo de 48% para
43% e o governo de 42% para 41%. A midia tem atualmente sua maior queda de
confiança em 17 países, sendo eles: Irlanda, Polônia, Russia, Austrália,
Inglaterra, Fraça, África do Sul, Argentina, Koreia do Sul, Hong Kong, Malásia,
Canada, Colombia, Mexico, Brazil, Singapura e Emirados Árabes
A maior parte da população mundial
(53%) acredita que o “sistema está falindo”. Sendo que as maiores preocupações
da população entrevistada foi perder o
emprego (83%), as mudanças nos
negócios são muito rápidas (53%) e a globalização
(50%).
Um dos poucos setores que passou
a ganhar mais confiança é quando falamos de empresas familiares, globalmente do
ano de 2016 ao ano 2017, a confiança pulou de 59% para 75%. Somente no Brasil, o
salto foi de 61% para 75%. Isso se relfetiu na preferência dos entrevistados ao
escolher que tipo de empresa gostariam de trabalhar, 54% preferem trabalhar em
uma empresa familiar, 21% preferem não trabalhar em uma empresa familiar e 19%
não tem preferência.
Em sua reportagem a respeito do
assunto o jornal The Sydney Morning Herald analisa que alguns dos motivos pelos
quais a maioria das pessoas acredita que o sistema está falindo são: imigração,
globalização e mudança de valores. O pesquisador social Hugh Mackay disse a
Fairfax Media: “A visão para as sociedades ocidentais, especialmente para a Australia,
é que o respeito e confiança nas instituições geralmente declina. Isso não é
uma atitude positiva para nenhuma sociedade”.
Ao fazermos uma comparação com a
queda de confiança global nas instituições vemos que o que está acontecendo no Brasil
também está acontecendo ao redor do mundo.
Cal Thomas, disse no canal de
opinião no FOX NEWS, que a população perder a fé no governo é algo bom, pois as
pessoas passariam a ter mais fé nelas mesmas e menos no governo. Outro ponto
positivo seria o fato de que isso faria com que o governo diminuisse, assim, um
governo menor gastaria menos, o que faria com que fossem necessário menos impostos,
privilegiando a sociedade.
Embora Cal Thomas apresente
pontos positivos, os efeitos da perda de confiança no sistema político envolvem
em geral uma abstinência da população não só nas votações, mas na busca pelos
políticos de qualidade. Isso é claramente refletido no sistema político do
Brasil hoje, com candidatos cada vez mais desprerados trazendo diversas promessas
que os mesmos não podem cumprir.
De fato a perda de confiança causa
danos a sociedade. Ainda não podemos ver todos os efeitos negativos que a desconfiança
vai trazer, mas sabemos que isso tem produzido uma geração cada vez mais
ausente na política ao redor do mundo todo. Uma vez que os políticos são
responsáveis por representar os interesses do povo, seja na criação de leis,
manuntenção das mesmas ou alteração das existentes, uma parcela cada vez mais
ausente trás um campo cada vez maior para políticos desprovidos do que é essencial
para governar corretamente.
Podemos concluir então que o
sentimento não só do brasileiro, mas de tantas pessoas ao redor do mundo que
não se sentem representadas por políticos é algo prejudicial a sociedade, pois
cria-se instabilidade política, econômica e social.
A estrada para a solução começa
com uma população que não só pesquise a respeito dos candidatos, mas que os
cobre constantemente de suas promessas. No cenário atual, os eleitores precisam
enxergar além das promessas, devem saber quais promessas têm fundamento e quais
são de qualidade. A população deve ser politicamente conscientizada. Devem
procurar quem os representa, analisar as propostas e ideias e votar no que mais
se aproximar de seu ponto de vista. Exercitando ativamente a democracia.
Aquele que não fala por si, é
ditado por outros.
Referências
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